Economista e professor universitário, Fernando Babilônia fala sobre perspectivas vislumbradas para o cenário apresentado

Em entrevista exclusiva à O PROGRESSO, o economista Fernando Babilônia fala sobre os efeitos provocados na economia brasileira pela pandemia do novo coronavírus (covid-19) e quais os caminhos apresentados para o setor, destacando sobre a importância da força do associativismo no que diz respeito ao enfrentamento dos desafios pelos quais os empresários estão passando nas distintas áreas dos negócios.

Fernando Babilônia é professor universitário, diretor do Curso de Ciências Econômicas da Faculdade de Educação Santa Terezinha (FEST) e técnico da Secretária de Desenvolvimento Econômico de Imperatriz (SEDEC).

Fernando Babilônia também faz uma panorâmica sobre a economia no âmbito do município de Imperatriz. “Sob a ótica econômica, os efeitos são enormes, sobretudo no que se refere a investimentos e empregos. Em um momento de grande instabilidade como esse, os investidores ficam cautelosos. Assim, não acontecem investimentos. Há, porém, desinvestimentos. Em razão da redução dos investimentos, os empregos são diminuídos”, afirma.

A seguir, na íntegra, confira a entrevista de Fernando Babilônia a O PROGRESSO:

O PROGRESSO – Os efeitos provocados na economia em decorrência da pandemia do novo coronavírus serão piores do que os de outras crises?

FERNANDO BABILÔNIA – É difícil fazer uma análise se será pior, pois ainda estamos em plena crise. Uma grave crise, só que em moldes diferentes de outras épocas. Haverá semelhanças, caso do aumento do desemprego e a redução dos investimentos, além da falência de empresas. Porém, penso haver diferenças entre as das crises, sobretudo no que diz respeito ao fator gerador das mesmas. Caberá aos gestores públicos traçar as medidas mais apropriadas para a retomada da economia.

De fato, as consequências da crise atingiram a todos, sendo mais forte em alguns segmentos, sobretudo no setor de serviços, que envolve trabalho com pessoas. Áreas ligadas ao turismo, a educação, aos restaurantes, aos bares, aos eventos, entre outros, estão sofrendo muito neste momento.

O PROGRESSO – Existe necessidade de adaptação?

FERNANDO BABILÔNIA – Há, portanto, uma necessidade de nos adaptarmos a este novo momento: de crise global, ainda não completamente controlada, forçando, portanto, a sociedade mundial a rever vários conceitos, sejam eles pessoais e/ou profissionais.

Como mencionado, praticamente todos os setores considerados não essenciais tiveram impactos em suas receitas. Com destaque para o setor de Serviços, que, por essência, lida com pessoas (eventos, bares, restaurantes, salões de beleza, academias, escolas, turismo em geral, etc). No momento de pandemia, houve a redução acentuada do fluxo de pessoas. Um importante segmento que passa por grandes dificuldades, o aéreo, dado ao alto volume de investimentos, sobretudo nas aeronaves e a fartíssima queda de demanda. Empresas aéreas nas diversas regiões do planeta estão à beira do colapso.

O setor industrial sofreu os impactos da crise, pois houve forte redução de consumo de vários itens considerados não essenciais e, com isso, tiveram que adiar planos de investimentos e/ou até mesmo desinvestir.

No entanto, passado este pior momento da crise, essas indústrias terão condições de se recuperar de forma rápida, pois possuem capacidade instalada alta – e, que neste momento, encontra-se bastante ociosa. O que significa que, havendo a retomada da economia, as indústrias poderão retomar suas atividades rapidamente, sem ter de realizar novos investimentos.

O PROGRESSO – A crise empobrecerá mais pessoas?

FERNANDO BABILÔNIA – Os dados disponíveis no momento, além das pesquisas feitas por especialistas da área, têm demonstrado que, infelizmente, haverá mais pessoas nesta condição. O que trará, ainda, mais responsabilidade para os gestores públicos no que se refere a elaboração de políticas que possam minimizar os efeitos da crise.

Haverá redução do PIB em praticamente todos os países. O Brasil já não estava em situação econômica privilegiada. Tínhamos um crescimento aquém de nosso potencial. A covid-19 fez com que uma possível retomada da economia fosse interrompida. Não só isso. Fez com que o Produto Interno Bruto sofresse uma forte queda em 2020. De quanto será a queda, ainda não foi possível saber. O fato, porém, é que haverá forte queda este ano, com um quadro fiscal grave.

O PROGRESSO – Impactos da covid-19 na economia de Imperatriz?

FERNANDO BABILÔNIA – Conforme mencionado, não há, ainda, como mensurar os impactos sobre a economia local. O que se pode perceber – até agora – é que há, sim, uma redução de empregos e renda, já que muitas empresas tiveram de demitir, reduzir carga horária e/ou suspender contrato de trabalho de seus funcionários. Com isso, há redução de renda das pessoas. Outro ponto que pode ser percebido é o fechamento de algumas empresas que, diante do cenário atual, não puderam manter suas atividades.

O PROGRESSO – E sobre o papel das entidades diante do atual cenário?

FERNANDO BABILÔNIA – As entidades têm papel importantíssimo em um momento como o que estamos vivendo. Elas podem tanto ajudar na elaboração de políticas públicas junto aos governos federal, estaduais e municipais ou cobrar que tais políticas sejam verdadeiramente implementadas.

Outro importante papel das entidades: dar todo o suporte possível as empresas associadas, pois em momento tão complicado, faz-se necessário fazer-se presente junto às mesmas, levando sugestões, ideias e alternativas, visando que as empresas associadas não encerrem suas atividades.

Sobre o associativismo?

FERNANDO BABILÔNIA – Um dos lemas do associativismo é “A união faz a força”. Logo, em um momento como este, tal lema deve ser colocado como uma prática. Juntos, os empresários têm muito mais chances de passar por este delicado momento.

Concluindo, que perspectivas o senhor traça para o cenário?

FERNANDO BABILÔNIA – O cenário econômico atual é de muita preocupação em virtude de haver uma forte redução da atividade produtiva e a consequente diminuição de investimentos, geração de empregos e renda. Entretanto, com o término e/ou controle da pandemia, haverá elevada retomada da economia, pois as indústrias estão com seus potenciais ociosos, havendo demanda reprimida em todos os segmentos. É importante observar que, diante de momentos de crises, há sempre grandes oportunidades. Caberá aos empreendedores descobri-las, buscarem novos investimentos e, assim, gerarem mais empregos, mudando as vidas de muitas pessoas.

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